Revisão ampla destaca avanços e desafios na captação e qualificação dos dados de mortalidade, fundamentais para o planejamento em saúde pública
O Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) é uma das principais bases de dados da saúde pública brasileira. A qualidade dessas informações impacta diretamente o planejamento, a alocação de recursos e a formulação de políticas públicas. Para entender como o país vem tratando esse tema, uma revisão de escopo publicada na Revista Ciência & Saúde Coletiva analisou 54 estudos científicos sobre a qualidade do SIM no Brasil.
O artigo, publicado em janeiro de 2025, revela que houve melhorias significativas nas últimas décadas, especialmente no que se refere à cobertura e completude dos registros. No entanto, persistem desafios estruturais, como a subnotificação e a classificação inadequada das causas de morte.
O que o estudo avaliou?
A revisão de escopo mapeou trabalhos publicados entre 2000 e 2023 que abordavam a qualidade do SIM com base em critérios como:
- Cobertura (quantidade de mortes registradas vs. estimadas)
- Completude (informações preenchidas adequadamente)
- Acurácia da causa básica de morte
- Sub-registro e dados ignorados
- Desigualdades regionais
A análise concluiu que as regiões Sul e Sudeste apresentam maior qualidade dos dados, enquanto Norte e Nordeste ainda enfrentam lacunas importantes na cobertura e na definição precisa da causa do óbito.
Por que isso importa para a gestão pública?
Informações confiáveis sobre mortalidade são essenciais para:
- Avaliar a efetividade de políticas públicas
- Planejar ações de prevenção e controle de doenças
- Identificar vulnerabilidades populacionais
- Monitorar mudanças nos perfis de saúde da população
- Garantir justiça na distribuição de recursos
A qualidade dos dados impacta diretamente os indicadores de saúde e o financiamento de programas, tornando o SIM uma ferramenta estratégica no SUS.
Recomendações para melhorar o SIM
Entre as recomendações destacadas pelos autores da revisão estão:
- Capacitação de profissionais na declaração correta da causa básica de morte
- Integração entre sistemas de informação (ex: e-SUS, CNV, SIH)
- Reforço na vigilância epidemiológica de óbitos
- Investimentos em tecnologias para melhorar a coleta e análise dos dados
- Transparência e acesso público às bases de dados
Essas ações são fundamentais para fortalecer a inteligência em saúde e garantir que as decisões sejam baseadas em evidências consistentes.
Fonte
Silva, A. A. et al. “Qualidade do Sistema de Informação sobre Mortalidade no Brasil: uma scoping review”. Revista Ciência & Saúde Coletiva, v. 30, n. 1, 2025.