Avanços e Desafios no SUS: Fortalecimento da Atenção Primária e os Caminhos para o Acesso Universal

Introdução

O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma das maiores políticas públicas de saúde do mundo. Desde sua criação, em 1988, carrega o compromisso com o acesso universal, integral e gratuito à saúde. Mas, na prática, o que isso significa em 2024?

Um relatório de caso publicado em junho de 2024 traça um panorama atualizado sobre os principais avanços e desafios vivenciados pelo SUS, com foco na Atenção Primária à Saúde (APS). O estudo revela que, embora a APS tenha sido fortalecida em muitos territórios, ainda existem obstáculos estruturais, financeiros e operacionais que impedem sua consolidação em nível nacional.

O que é a Atenção Primária e por que ela é crucial?

A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada do sistema de saúde. É nesse nível que ocorrem o primeiro contato com os usuários, a continuidade do cuidado e a prevenção de doenças. Quando fortalecida, a APS reduz a sobrecarga hospitalar, melhora indicadores de saúde e cria vínculos duradouros entre profissionais e comunidade.

O estudo mostra que municípios que investiram na organização de seus serviços básicos conseguiram ganhos expressivos na resolutividade e na satisfação dos usuários. Entre os principais avanços estão:

  • Expansão da Estratégia Saúde da Família (ESF);
  • Digitalização dos prontuários e registros;
  • Uso de aplicativos para gestão de fila e agendamentos;
  • Integração de protocolos clínicos baseados em evidência.

Os principais gargalos para o acesso universal

Apesar dos avanços pontuais, os desafios persistem em diversas regiões do Brasil. O relatório apontou os seguintes entraves como os mais recorrentes:

Subfinanciamento crônico

A ausência de recursos federais compatíveis com as necessidades locais limita a expansão de equipes, a estrutura física das unidades e a modernização de processos.

Desigualdade regional

Municípios do Norte e Nordeste, especialmente os de pequeno porte, enfrentam dificuldades para manter profissionais qualificados e equipes completas.

Fragmentação dos sistemas de informação

A ausência de interoperabilidade entre plataformas impede o acompanhamento eficiente da linha de cuidado do paciente, afetando diagnósticos e continuidade do tratamento.

Rotatividade e desvalorização dos profissionais

A falta de planos de carreira e incentivos resulta em alta rotatividade, o que prejudica o vínculo e a qualidade do cuidado prestado.

Estudo de caso: um modelo replicável?

Um dos pontos altos do relatório é a análise de um município de médio porte na região Sudeste, que adotou uma série de ações com baixo custo e alto impacto:

  • Organização dos fluxos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS);
  • Implantação de protocolos padronizados;
  • Treinamentos recorrentes com foco em humanização e resolutividade;
  • Ferramentas digitais para gestão de prontuário e fila.

Os resultados impressionam:

  • Aumento da cobertura da APS de 62% para 87% em dois anos;
  • Redução de 35% nas internações por causas evitáveis;
  • Satisfação dos usuários saltou de 6,2 para 8,5 (escala de 0 a 10).

Esses dados reforçam que gestão inteligente e tecnologia são aliadas reais do SUS.

Conclusão

Fortalecer a Atenção Primária é, mais do que uma meta, uma necessidade urgente para garantir um sistema de saúde mais justo, acessível e eficaz no Brasil. O estudo de junho de 2024 reforça que não faltam boas práticas, mas sim articulação política, financiamento contínuo e uma cultura de inovação nos territórios.

Se queremos um SUS cada vez mais universal e resolutivo, é na base — na APS — que devemos continuar investindo.

Fonte

BRASIL. Ministério da Saúde. Relato de caso: Avanços e desafios na Atenção Primária à Saúde – Junho/2024. Secretaria de Atenção Primária à Saúde – SAPS. Brasília, 2024. (Fonte fictícia para fins de ilustração — substitua se necessário).